Crise política aumenta
14 de julho de 2026

A Polícia Federal começou a desbaratar um esquema de fraudes envolvendo emendas parlamentares e ex-deputados federais sem assento no Congresso Nacional que determinavam o destino dos recursos públicos de acordo com seus interesses políticos. Neste final de semana, vieram à tona casos envolvendo duas raposas da política que, mesmo sem mandato, coordenaram o envio de dezenas de milhões de reais a bases eleitorais.
De acordo com a PF, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, teria encaminhado cerca de R$ 119 milhões para diferentes municípios brasileiros por meio de emendas de deputados federais que seguiam suas ordens. Segundo a apuração, a maior parte desses recursos já foi liberado. Outro que se utilizava do mesmo expediente era o ex-presidente da Câmara e candidato a deputado federal por Minas Gerais, Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que teria enviado R$ 6 milhões para municípios mineiros.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de bens dos dois ex-parlamentares no mesmo valor das emendas desviadas. A PF informou ao Supremo ter identificado indícios de que a Presidência da Câmara dos Deputados tinha conhecimento e deu aval ao direcionamento de emendas parlamentares piratas utilizadas por Cunha e Valdemar.
Os investigadores apontam que a ex-assessora da presidência da Casa, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, era responsável por operacionalizar as indicações e afirmam que ela atuava com o “pleno aval” da cúpula da Câmara. No relatório, a corporação afirma que as evidências revelam um “altíssimo grau de promiscuidade” na gestão das emendas. Em quem podemos confiar?